O óleo que tem contaminado as praias do Nordeste brasileiro já afetou mais de 300 localidades em mais de 100 municípios dos nove estados da região, numa extensão de mais de 2,5 mil quilômetros, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os primeiros registros desse que tem sido apontado como o maior desastre ambiental do país foram feitos no dia 30 de agosto

Até agora, mais de 4,5 mil toneladas do resíduo foram retiradas das praias num esforço coletivo de ONGs de proteção ambiental, comunidades e da Marinha brasileira. Ágeis na tentativa de evitar um dano maior à natureza, muitas pessoas que ajudam na limpeza das praias não estão se cuidando contra uma possível contaminação.

Segundo André Reis, doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente e professor do Unipê, as reações químicas do óleo com a água do mar ou com o corpo humano ainda precisam de pesquisas. “Para saber os efeitos de longo prazo é necessário finalizar as análises de caracterização e conhecer os riscos de sua exposição, como câncer ou contágio biológico”, esclarece. “Em caso de contato com o corpo humano, a ação mínima é a remoção com água e produtos de limpeza para o corpo”, acrescenta.

Para evitar o contato direto com a substância, é essencial o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscara, luvas de PVC de cano longo, botas impermeáveis, macacão de borracha, além de carrinhos de mão para armazenar o material e pá de inox ou plástico. “São as condições mínimas para realizar o trabalho com o menor risco de contato”, pontua Reis, indicando que os EPIs podem ser diferentes a depender da localidade.

O material coletado tem uma destinação correta feito por empresas. Uma alternativa seria a incineração e o tratamento dos resíduos da queima, como as cinzas e o vapor. “Mas, mais uma vez, sem saber com certeza a correta composição química da substância, é arriscado tomar qualquer atitude nesse sentido. Por exemplo, se houver traços de elementos radioativos ou biológicos, a incineração pode ajudar a conter ou espalhar outros fatores de contaminação”, informa.

Além da contaminação ambiental e da degradação causada pela substância ainda desconhecida, o professor considera que o litoral brasileiro está vulnerável a ameaças externas e sem ações preventivas de monitoramento. “O que está sendo feito pelos voluntários é louvável, mas precisamos levar em consideração as causas da contaminação das praias e dos ambientes costeiros em si”, avalia.

 

Fonte: Portal Correio

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