Fortaleza, 15 de setembro de 2019. Era 10h30 quando um prédio residencial de sete andares desabou no bairro Dionísio Torres, área nobre da capital cearense. Inúmeras vítimas, nove mortos. O caso acendeu uma luz de alerta: qual a causa da queda do edifício?

“Houve irresponsabilidade por parte do administrador do condomínio. Todo edifício precisa passar por uma inspeção predial para que possa ser detectado possíveis anomalias e assim realizar os trabalhos de correções e prevenções”, afirmou Norberto Germano, engenheiro civil, de segurança do trabalho e perito judicial.

O imóvel estava passando por obras.  Infiltrações, corrosões e vazamento de gás. Os problemas que levam a um acidente em um condomínio são inúmeros e, às vezes, imperceptíveis. Por conta disso é muito importante que as edificações passem por inspeção periodicamente. “O condômino deve manter sob seu controle a gestão das reformas dentro e fora das unidades habitacionais”, frisou o engenheiro civil Flávio Henrique Brandão, da construtora SI América.

“Rotineiramente estamos vendo nas mídias muita imprudências, ora por falta de conhecimento de quem está executando, ora por pura negligência e imperícia”, continuou. Em 2014, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) implantou a NBR 16280 (Normas Brasileiras), que prevê as obrigações de condôminos e condomínios, como a apresentação de projetos executivos, memoriais e indicações de responsável técnico. Tais ações visam assegurar que as reformas sejam bem geridas por profissionais qualificados.

“Todas as normas visam assegurar a vida útil do prédio e o bem-estar de todos os residentes. Por isso, sempre reforçamos a necessidade da manutenção preventiva e de uma gestão efetiva”, contou Brandão. Ainda segundo ele, os problemas estruturais normalmente dão sinais como oxidação, trincas e afundamento, entre outros indícios. O engenheiro civil, de segurança do trabalho e perito judicial Norberto Germano, ainda alerta para outra questão: reformas dentro das unidades.

“Toda modificação que o morador quiser fazer precisa obrigatoriamente ser avisada ao síndico e é necessária a contratação de um engenheiro, que será o responsável por analisar as obras, os procedimentos que serão adotados, além de emitir uma ART (Ano tação de Responsabilidade Técnica). Esse processo garante que as modificações serão feitas dentro dos parâmetros e procedimentos exigidos, não interferindo nos aspectos estruturais e de segurança”, informou o engenheiro.

“Vale ressaltar que a escolha dos profissionais certos e qualificados para as prestações de serviços, mesmo que por um custo um pouco mais elevado, garante que os serviços sejam executados corretamente”, disse Germano

Fonte: O Vale

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